outubro 09, 2006

Sobre Camaquã e Sapucaia do Sul...

Continuando a postar sobre a história dos lugares que já visitei hoje será a vez de Camaquã, terra natal de meu pai, e Sapucaia do Sul, minha terra natal.
História de Camaquã

A região onde atualmente está localizado Camaquã já era conhecida desde os tempos coloniais de 1714. Por volta de 1763 diversos casais açorianos foram descendo para o Sul, localizando-se na margem esquerda do Estuário Guaíba e da margem direita da Laguna dos Patos, fundando fazendas e charqueadas até o rio Camaquã.
O povoamento da região foi despertado pelo interesse religioso e pecuário. A população cresceu com a vinda dos imigrantes: portugueses, franceses, poloneses, alemães, espanhóis, negros e com os já donos desta terra os irmãos indígenas. Constava do extenso território da Freguesia do Triunfo, as sesmarias do Cordeiro, do Duro e do Cristal de propriedade do Capitão Joaquim Gonçalves da Silva, pai de Bento Gonçalves, que ao doar terreno na atual localidade da Capela Velha, 8º distrito, requereu autorização para fundar a Capela Curada de São João Batista de Camaquã.

Em 9 de dezembro de 1815 foi concedida a licença para a criação da capela. Esta é a primeira data oficial consolidando a criação de uma comunidade. É, portanto, seu fundador, segundo pesquisas do historiador Luis Alberto Cibilis, o Capitão Joaquim Gonçalves da Silva, doador do primeiro terreno para construção da Capela e o requerente da provisão que a criou. A 19 de abril de 1864, a Lei Municipal nº 569 cria o município de São João Batista de Camaquã. Camaquã possui também a riqueza de fatos históricos decorrentes do período da Revolução Farroupilha (1835-1845).
Como destaque os heróis como o General Bento Gonçalves da Silva, o general Antônio de Souza Netto, proclamador da República Rio-Grandense e o Revolucionário Italiano Giuseppe Garibaldi com sua fiel e brava companheira Anita Garibaldi.

Origem do nome
Dentre os diversos significados dados ao município de Camaquã o mais adequado segundo o autor Antonio Cândido Silveira Pires é o de rio correntoso ou rio forte. Camaquã vem de Icabaquã e na língua tupi-guarani I significa rio, água e Cabaquã quer dizer velocidade, correnteza. Então podemos concluir que o nome de nosso município vem do rio Camaquã que passa em nossa cidade.
Sapucaia do Sul
Pois é, meus pais, cada um de um lugar neste Estado, se encontraram, casaram e aos 21 dias do mês de outubro de 1973 - não tenho problema com idade, adoro ter 16 anos!!!! - deram a essa cidade uma nova moradora: EU!
A História do município pode ser divida em quatro fases:

A Fazenda Sapucaia

Também conhecida como a “Fazenda do Cerro”, foi fundada em 1737, pelo retirante da Colônia de Sacramento, o português Antônio de Souza Fernando. A fazenda localizava-se no sopé do Morro Sapucaia. A estância se estendia desde o rio Gravataí até o rio dos Sinos. Ao lado, localizava-se a “Fazenda Guaixinin-Sapucaia” que se estendia até Porto Alegre, de propriedade de Francisco Pinto Bandeira, genro de Antônio de Souza Fernando.

Para povoar essas fazendas, os tropeiros prearam o gado bravio que se criava selvagem pelos campos, remanescente do gado criado pelos padres jesuítas das missões, destruídas pelos bandeirantes. Por mais de um século, o meio de vida da região foi a criação de gado.

Os Matadouros

Já no final do século XIX, foram surgindo os matadouros no território de Sapucaia. No início do século XX, oito matadouros abasteciam toda a região, inclusive Porto Alegre. Por toda esta época as fazendas deram lugar a grandes invernadas, que recebiam o gado de outros lugares, das tropas e dos trens, em vagões especialmente preparados para tal.

Sítios de Lazer

Por volta de 1930, surgiu a moda, junto às famílias mais abastadas, de ter uma casa no campo. O distrito de Sapucaia distava apenas 25km de Porto Alegre, sendo ligada à Capital pelo trem, que fazia duas viagens diárias e tornou-se o local ideal para os sítios de lazer. Os grandes proprietários passaram a dividir suas terras em pequenos sítios, que eram comercializados principalmente na Capital. Nos fins de semana, as famílias se deslocavam de Porto Alegre para usufruir dos “bons ares” de Sapucaia. Havia abundância de frutas e verduras, leite fresco e os famosos beijus, que eram vendidos de porta em porta. Exemplos desses sítios são a “Quinta Johann”, ‘Quinta Leopoldina”, a “Quinta das Rosas”...

As Indústrias

A era da industrialização iniciou em 1940, com a construção da BR2, hoje BR 116. O governo do Estado e o Município de São Leopoldo concederam isenções de tributos a todas as empresas que viessem a se estabelecer nesta região. A primeira grande empresa que se estabeleceu no então distrito de Guianuba foi a empresa Vacchi e Cia LTDA. Logo depois, em 1946, chegava o Lanifício Riograndense S/A, hoje denominado de Paramount Lansul S/A. Em 1945 foi a vez da Siderúrgica Riograndense e do Lanifício Kurashiki do Brasil S/A instalarem-se no município.
Estas empresas, e outras, não mencionadas, transformaram o "7º Distrito de São Leopoldo" numa verdadeira potência econômica, encerrando a luta pela emancipação, ocorrida em 1961.

Em 1965, a Recrusul e a White Martins também vieram para o município.

Sapucaia chegou a ser o 7º município no ranking de arrecadação de ICMS do Estado. Tal imposto representa praticamente 75% do total de arrecadação municipal.

As indústrias trariam milhares de pessoas de todos os lugares em razão do número de empregros que geravam. Em 1920, Sapucaia tinha 880 habitantes. Em 1960, a população já alcançara a casa dos 18 000 habitantes. Atualmente o município possui 130 000 habitantes.

Bibliografia recomendada: ALLGAYER, Eni. História de Sapucaia do Sul. Porto Alegre: Mercosul, 1992
Nos próximos posts mais histórias.

2 comentários:

leonardo disse...

OLÁ, FOI MUITO BOM LER SOBRE A CIDADE DE SAPUCAIA DO SUL, INTERESANTE É QUE MORO EM CANOAS MAS COMECEI A TRABALHAR EM SAPUCAIA JÁ FAZ 5 ANOS E ME APAIXONEI PELA CIDADE. ACREDITO QUE "OS BONS ARES" DE SAPUCAIA AINDA EXISTEM.

LEONARDO KRIEGER

ROBERTO STEPANSKI disse...

Joaquim Gonçalves da Silva.
Impossibilitado por Deus de ser o fundador de Camaquã por que infelizmente morreu em 1822 não conseguindo ver a fundação da cidade 29 anos após sua morte. EM 1851.
O Pai de Bento Gonçalves Da Silva.
Tão devoto que daria o nome de um dos 14 filhos de João Batista.
Por isso, juntamente com outros sesmeiros da região, fundou, por volta de 1812, a Irmandade de São João Batista,
Provedor era Manoel da Silva Pacheco.
Essa Irmandade, além de difundir o culto a São João, ainda distribuía terras a quem tivesse interesse em vir morar na região.
A Irmandade e o povoado eram atendidos pela Paróquia de Triunfo, que era muito longe, o que inviabilizava o atendimento religioso.
...com a construção da capela curada São João Batista de Camaquã, em São João Velho...
CRIADA NO DIA 9 DE DEZEMBRO DE 1815.
Tendo como padroeiro São João Batista.
Doada por João Gonçalves Flores:
Padre irmão de Bento Gonçalves da Silva, sendo que tinha outro irmão padre o José Gonçalves da Silva.
A obra da construção da capela curada em são João Velho, ficou sob responsabilidade de seu genro:
Boaventura José Centeno.
Por previsão eclesiástica do Bispo D. José Caetano Coutinho que foi o protetor e formador de Hildebrando,
Essa comunidade não prosperou devido à falta de água na região.
Ainda hoje ainda por La, no atual distrito chamado de capela velha, a alguns tijolos tapados pelo mato e pelo descaso.
Em 1844, Joaquim já falecido 1822.
A atual Matriz de Camaquã, teve origem com a doação de terras por :
Ana Gonçalves da Silva, ou Ana Gonçalves Meireles ou Ana Joaquina de Jesus. Que era sobrinha de Perpétua da Costa Meireles esposa de JOAQUIM.
Em 05 de maio de 1851, foi fundada a cidade de Camaquã,
Por Manoel da Silva Pacheco, com terrenos doados por Ana e outros adquiridos mediante subscrição publica.
Nestas terras foi edificada uma parte da Capela São João Batista.
ANNA era filha da Irmã de PERPETUA, (também nora de Joaquim Gonçalves da Silva), por fez uma doação de 100 braças de terra na margem esquerda do Arroio Duro para a construção de uma nova capela.
Filha de Manuel Gonçalves Meirelles, Filho e Isabel Joaquina de Souza
Mulher de José Gonçalves da Silva
Mãe de Gabriela Gonçalves da Silva